Biomarcadores Cardíacos
Os biomarcadores cardíacos são proteínas e peptídeos liberados no sangue em resposta a estresse ou lesão do coração, oferecendo uma visão clara da bioquímica do miocárdio. Eles permitem compreender como as células cardíacas reagem à falta de oxigênio, à sobrecarga ou a danos diretos, e cada marcador reflete processos específicos, desde alterações metabólicas até destruição estrutural.
Troponinas Cardíacas: Marcadores Estruturais
As troponinas cardíacas I e T fazem parte do complexo troponina-tropomiosina, que regula a contração do músculo cardíaco em resposta ao cálcio. Durante isquemia ou lesão, uma pequena fração citosólica é liberada rapidamente, enquanto a fração ligada ao sarcômero é liberada de forma mais lenta e prolongada, permanecendo detectável no sangue por vários dias. Essa liberação escalonada permite interpretar a extensão e a duração do dano.
Principais pontos sobre as troponinas:
- São altamente específicas do coração.
- Refletem tanto a lesão inicial quanto o dano consolidado.
- Permitem correlacionar bioquímica celular com eventos clínicos.
CK-MB: Energia e Lesão
A CK-MB é uma enzima que ajuda na regeneração rápida de ATP, transformando creatina em fosfocreatina. Durante a lesão, ela é liberada rapidamente, mas apresenta pico e normalização mais rápidos que as troponinas. Por isso, é útil para acompanhar reinfartos ou lesões recentes, oferecendo uma janela bioquímica do metabolismo energético do cardiomiócito.
Mioglobina: Sinal Precoce de Lesão
A mioglobina, proteína citoplasmática de baixo peso molecular, armazena oxigênio no músculo. Sua liberação é imediata após ruptura da membrana celular, permitindo detectar lesão inicial, embora não seja específica do coração. Ela serve como um indicativo precoce de dano muscular, ajudando a compor o quadro bioquímico da injúria.
Peptídeos Natriuréticos: Estresse Ventricular
Diferente dos marcadores estruturais, os peptídeos natriuréticos, como BNP e NT-proBNP, refletem estresse mecânico no coração. Produzidos em resposta ao estiramento das paredes ventriculares, atuam regulando pressão e volume sanguíneo por meio de natriurese e vasodilatação. Esses marcadores não indicam necrose, mas mostram que o coração está sobrecarregado, oferecendo insights bioquímicos sobre adaptação celular ao estresse.
Lactato: Metabolismo Anaeróbio
Em condições de hipóxia, a glicose intracelular é convertida em lactato para gerar energia, acumulando-se e contribuindo para acidose intracelular. O lactato não é específico do coração, mas indica estresse metabólico e revela alterações bioquímicas que ocorrem antes mesmo da morte celular.
Integração Bioquímica
Cada biomarcador mostra uma etapa diferente da resposta do cardiomiócito: a mioglobina surge primeiro, sinalizando lesão inicial; as troponinas indicam dano consolidado; CK-MB permite acompanhar evolução recente; peptídeos natriuréticos refletem sobrecarga mecânica; e o lactato mostra alterações metabólicas. Juntos, oferecem uma visão completa da bioquímica cardíaca, traduzindo eventos celulares em sinais detectáveis no sangue.
Estudar os biomarcadores cardíacos é entender o coração como um sistema integrado, onde energia, estrutura e sinalização funcionam em conjunto. Cada proteína ou peptídeo liberado no sangue revela como o cardiomiócito responde a diferentes tipos de estresse ou lesão.
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